Por Sandra Balbi, colunista de Meu Salário no programa Elas e Lucros pela 107,3 FM
(de seg. a sex. das 8h às 9h da manhã)
Além de analisar a linha pedagógica e a qualidade do corpo técnico e de professores das escolas, os pais devem buscar escolas preocupadas com a educação financeira das crianças, que tenham um trabalho de introdução dos pequeninos no mundo do dinheiro.
O MEC passou a oferecer no ano passado às escolas da rede pública, dentro do programa Mais Educação a opção de introduzir atividades de educação financeira. O projeto é coordenado pela CVM e o MEC está acompanhando a elaboração de material didático e cuidará da formação de professores também.
A coisa toda ainda está embrionária e segundo a assessoria de imprensa do MEC, penas 78 escolas que participam do programa Mais Educação em 2090 e 2010 fizeram opção pelo curso de educação financeira, pois a adesão é voluntária.
Em 2009, 5 mil escolas de 126 municípios, participaram do Mais Educação e neste ano a projeção do MEC é atingir 10 mil escolas nas capitais, regiões metropolitanas - definidas pelo IBGE - e cidades com mais de 163 mil habitantes, para beneficiar três milhões de estudantes.
O Mais Educação aumenta a oferta educativa nas escolas públicas por meio de atividades optativas que foram agrupadas em macro campos como acompanhamento pedagógico, meio ambiente, esporte e lazer, direitos humanos, cultura e artes, cultura digital, prevenção e promoção da saúde, educomunicação, educação científica e educação econômica.
Nas escolas particulares já existem diversos trabalhos visando orientar financeiramente as crianças. Mas os estudantes da rede pública são os que mais precisam deste tipo de orientação. Por isso a importância de os pais que têm filhos em escola pública pressionarem a direção da escola a incluir esta atividade optativa no currículo.
Uma das escolas pioneiras a tratar de educação financeira foi o COC de Ribeirão Preto, eles têm lá uma mini-cidade a Coclândia, onde tem de tudo: prefeitura, supermercado e...um banco. As crianças da 2ª à 4ª série podem abrir conta no Coc Bank e aprender a preencher cheque, controlar o saldo da conta corrente. Eles fazem até câmbio! Podem trocar reais pela moeda educacional equivalente a 1, 2, 5 e 10 reais. Com os cheques e as cédulas COC a garotada faz compras, paga o lanche, material escolar, o que precisar. E com isso aprendem conceitos de matemática, direitos e deveres do consumidor, profissões do comércio e do setor bancário. Enfim, é um barato.
Outra escola preocupada com a educação financeira é a Escola Pólen, de Jacarepaguá, no estado do Rio, onde aos sete anos de idade, os alunos também têm conta em banco e talão de cheque.
Com instituições fictícias, como o Banco Itacosmo, o Correio Pólen, a Loja Doçura e o Jornal Noticiário, as crianças aprendem a lidar com dinheiro. Cada série é responsável por uma instituição. A primeira série (com alunos de 6 a 7 anos), administra os correios; a segunda série(de 7 a 8 anos), a loja; a 3ª (de 8 a 9 anos), o jornal; e a 4ª (de 9 a 10 anos), o banco. Cada aluno tem a sua função: um é gerente, outro é vendedor, outro é fiscal etc. Todos recebem salário e podem comprar doces e enviar cartas. Já os alunos das classes mais adiantadas têm conta em banco e só podem utilizar cheque para fazer compra. O dinheiro que circula é de verdade.
A engrenagem do jogo foi inventada pela própria escola e tudo acontece na hora do recreio, como uma grande brincadeira. Os professores estão o tempo todo ao lado para orientar, mas são os próprios alunos que criam as regras, como os preços dos produtos, o valor para abrir conta em banco ou receber talão de cheque. Outra regra importante é que quem não almoça não pode comprar doce.